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Análise metabólica do crossfit®

by Pires, Paulo Jorge dos Santos Nunes
Authors: Alves, Francisco José Bessone Ferreira--orientador Published by : [s.n.] ([Cruz Quebrada]) Physical details: [190] p. 30 cm Subject(s): Motricidade humana --Fisiologia do exercício --Doutoramento --2018 | Anaeróbico | Biomecânica | Carga de treino | Doutoramento | Fisiologia do esforço | Ginásio | Motricidade Year: 2018
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Tese Tese Faculdade de Motricidade Humana
FMH-BIBLIOTECA
Tese D 725 (Browse shelf) Available
CD-ROM CD-ROM Faculdade de Motricidade Humana
FMH-Biblioteca Deposito
Tese D 725 / CD-ROM (Browse shelf) Apenas consulta local
Tese Tese Reitoria - SDP
SDP-Teses
Teses de doutoramento ULisboa DEP. 27860 (Browse shelf) 3 Sem empréstimo
CD-ROM CD-ROM Reitoria - SDP
SDP-Teses
Teses de doutoramento ULisboa RE 5546 (Browse shelf) 4 Sem empréstimo

Alves, Francisco José Bessone Ferreira - Orientador. Doutoramento em Motricidade Humana na especialidade de Fisiologia do Exercício. Universidade de Lisboa. Faculdade de Motricidade Humana. 2018.

INTRODUÇÃO: O CrossFit é caracterizado por movimentos funcionais constantemente variados realizados a uma intensidade elevada. Apesar da sua popularidade, os dados científicos sobre a sua prática e efeitos são escassos. Logo, o objetivo desta investigação foi: 1) Caracterizar a resposta fisiológica a tarefas típicas de CrossFit®; 2) Averiguar o efeito de um período de treino de CrossFit® nas capacidades aeróbia e
anaeróbia.
MÉTODOS: Participaram 12 atletas do sexo masculino no estudo I (Idade: 28,67 ± 5anos; Peso: 75,34 ± 8,26kg; Altura: 175,5 ± 6,10cm; %MG: 10,64 ± 3,30%; MIG: 65,07 ± 6,10kg; $̇O2PICO: 49,33 ± 4,23ml.kg- 1min-1) e 8 atletas no estudo II (Idade: 28,62 ± 7,63anos; Peso: 78,39 ± 10,03kg; Altura: 175,9 ± 4,28cm; %MG: 12,51 ± 5,33%; MIG: 65,05 ± 4,85kg; $̇O2PICO: 48,88 ± 4,91ml.kg-1min-1;). O estudo 1 envolveu a caraterização da resposta fisiológica a duas tarefas típicas da modalidade, executados de modo a que o tempo da sua realização seja o mínimo possível, (Wod1: 3x (500metros em remoergómetro + 12 x Peso Morto + 21 saltos para a caixa com 61cm e Wod2: (21 x Peso Morto + 21 x “HSPU”) + (15 x Peso Morto + 15 x “HSPU”) + (9 x Peso Morto + 9 x “HSPU”) e a verificação da sua associação com parâmetros da capacidade aeróbia e anaeróbia para o que realizaram dois testes laboratoriais, um progressivo máximo e supramáximo.
Nos testes laboratoriais, todos os atletas foram avaliados em
passadeira, sendo as trocas gasosas quantificadas com a utilização de um analisador portátil (Metamax 3B, Cortex, Alemanha). A concentração de lactato no sangue [La-] foi medida usando o dispositivo portátil Lactate Pro 2™ (Arkray, Koji, Japão). A estimativa do custo aeróbio foi realizada a partir do volume de oxigénio acumulado utilizado durante a tarefa (WAER). A estimação da componente anaeróbia lática (W[La-]) foi realizada levando em conta o gradiente de lactatemia antes e depois do esforço a caracterizar. O custo anaeróbio alático (WALA) foi calculado a partir da fase rápida da curva de V̇ O2 de recuperação (EPOCRAPIDO). De modo a modelar a curva do V̇O2 (ml.kg-1.min- 1) para estimação da respetiva cinética, os dados foram recolhidos no modo “respiração a respiração” e
sujeitos a uma modelação monoexponencial. No estudo 2 foram determinados os mesmos parâmetros fisiológicos antes e após 6 semanas de treino de CrossFit® tipificado e após 3 semanas de destreino. Foi ainda avaliado, nos mesmos momentos, o desempenho e a resposta fisiológica ao Wod1. RESULTADOS: No estudo I, a contribuição energética relativa (WAER; W[La-] e WALA) foi, no Wod1, 73,75 ± 3,4%; 17,61 ± 3,9% e 8,63 ± 4,9%, e no Wod2 46,83 ± 13,5%, 36,45 ± 14,2% e 16,7 ± 8% manifestando predominância do sistema aeróbio em ambos. As diferenças são decorrentes da duração exigida para a realização de cada um. No Wod1 foi encontrada uma correlação positiva entre a DuraçãoTOT e a constante temporal da cinética do V̇O2(tp) (r=0.582; p = 0.046), denotando a importância das adaptações aeróbias musculares para o desempenho. No Wod2 o V̇O2PICO mostrou-se associado à DuraçãoTOT (r=0,635; p=0,027), provavelmente indicando que o melhor desempenho depende das adaptações anaeróbias dos indivíduos.
Relativamente ao estudo II, foram verificadas diferenças significativas no teste progressivo em: $̇O2PICO (ml.kg-1.min-1) (p = 0,000; +4,6% [pré - pós]); $̇O2PICO (L.min-1) (p = 0,016; +4,3% [pré - pós]) and LV2 (p = 0,000; +4,4% [pré - pós]) e no teste supramáximo, em: $̇O2PICO (ml.kg-1min-1) p = 0.03; [+4,4%]) e no $̇O2PICO (L.min-1) p = 0.03; [+4.8%]). Ainda no supramáximo, verificou-se um decréscimo da capacidade anaeróbia dos momentos de pré e pós treino para o destreino (p = <0,05). No Wod1 observou-se uma melhoria na vi DuraçãoTOT do Wod1 (p=0.000 [-3.3%]) diminuição significativa na FCPICO (bat.min-1) (p=0.010[-4.69%]); %FCPICO (p=0.014 [-5,29%]); $̇O2PICO (p=0.009 [-7,38%]) . Simultaneamente, verificou-se um aumento da contribuição do WAER (p=0.028; [+4,45%]). Relativamente à $̇O2k (intensidade moderada), observaram-se diferenças significativas ao nível da Ap (p=0.042); tdp (p=0.023) do pré para o pós treino e do pré-treino para o destreino (p=0,017) e (p=0,022) respetivamente. Na $̇O2k na intensidade supramáxima verificaram-se diferenças do pós-treino e pré-treino para o destreino na Ap (p=0.030 [pós]; p=0,046[pré]); $̇O2PICO (ml.kg- 1.min-1) (p=0.043 [pós]; p=0,045[pré]).
CONCLUSÃO: Tanto quanto sabemos este é o primeiro estudo a caracterizar a resposta fisiológica a tarefas típicas de CrossFit® e averiguar o efeito de um período de treino de CrossFit® nas capacidades aeróbia e anaeróbia. Os dados indicam uma alta taxa metabólica no CrossFit®. Embora os exercícios com cargas adicionais elevadas exijam intensidades quase máximas sendo dominantemente anaeróbias, o elevado volume dos exercícios tornam a exigência dos Wod’s mais dependente da capacidade anaeróbia, mas também da potência aeróbia. Quer sejam longos (>10min) ou curtos (<2:30min), os Wod’s promovem concentrações láticas muito altas. Os dados também mostram que seis semanas de CrossFit®, induzem mudanças positivas nos indicadores cardiorrespiratórios e metabólicos, e que um período de destreino de três semanas é suficiente para causar perdas significativas nestes mesmos indicadores, no desempenho, assim como alterações na composição corporal.

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